Cuidado com o desgaste prematuro da embreagem

A falta de prática e alguns maus hábitos fazem das ladeiras inimigas de muitos motoristas e também dos componentes do carro. O sistema de embreagem costuma ser o maior prejudicado pelo mau uso nestes casos. Muitos condutores, ao parar numa ladeira, seguram o carro na embreagem, sem acionar o freio de mão. Segundo o mecânico Vinicius Losacco, esse costume reduz drasticamente a vida útil de componentes da embreagem, como o platô, disco e rolamento.

O estudante Lincoln Banciella Júnior, de 20 anos, percebeu quanto custa esse vício. Após menos de 15 mil quilômetros rodados, foi preciso trocar as peças do sistema. "Depois desse prejuízo, não deixei mais o pé apoiado na embreagem e parei de ficar segurando o carro sem o freio de mão", relata.

As rampas muito inclinadas não trazem problemas apenas para o carro. Elas também atrapalham bastante alguns motoristas. De acordo com Wagner Souza, instrutor de auto-escola, a ladeira é uma das maiores dificuldades no teste prático para obter a carteira de habilitação."É muito comum ver candidatos cantando pneu, saindo com o freio de mão puxado ou nem conseguindo sair", conta. Para quem está começando, a recomendação é treinar bastante a saída em rampas muito acentuadas, principalmente para ganhar confiança.

INICIANTES

Os procedimentos para arrancar em rampas inclinadas são simples e podem representar maior durabilidade das peças do carro. O mecânico Vinícius Losacco conta que é muito comum aparecerem em sua oficina pessoas viciadas no pedal da embreagem. "Essa prática é péssima para o carro e a melhor atitude é puxar o freio e sair em primeira", aconselha.

Nos centros urbanos, onde o trânsito contribui para reduzir a vida útil da embreagem, controlar o veículo pelo freio de mão é a melhor opção, esta é a dica. Mesmo para carros que estão no período de garantia, o motorista tem de ficar atento e observar as dicas para a conservação da embreagem, pois o desgaste dela não é coberto.

É difícil diferenciar a má utilização do desgaste natural, mas na primeira aparecem algumas características típicas: azulamento da superfície do platô e vestígios de queima da embreagem (cheiro de queimado), indicando patinagem. Losacco acrescenta ainda que as características de cada motor, como potência e torque, também devem ser levadas em conta para evitar esse tipo de desgaste irregular. "Os carros com motor 1.0, por exemplo, exigem uma condução diferente da dos outros", orienta.

Reduzir já no início da ladeira, esticar bem as marchas e sempre utilizar o freio de mão antes de arrancar na subida são alguns cuidados para quem tem um 1.0 e quer obter o melhor desempenho, conservando a embreagem. Pegar impulso e aproveitar bem cada marcha também é essencial.

MEDO

Mesmo conhecendo as técnicas, alguns motoristas preferem evitar as rampas muito acentuadas. A funcionária pública Benedita Solange Viterbo, 42 anos, conta que, um ano após se habilitar, ainda não havia perdido o medo das ladeira. "Quando parava numa subida e havia carros atrás, pedia para todos passarem e só depois eu saía", lembra.

Alguns condutores, mesmo com um tempo maior de experiência, não conseguem superar o medo das ladeiras. A vendedora Rosângela Aparecida de Souza, habilitada há quatro anos, diz que foge de subidas. "Para não ter de arrancar numa subida, faço caminhos alternativos que são, na maioria das vezes, mais longos", diz. Segundo Rosângela, o maior problema ocorre quando ela não conhece caminhos alternativos e é obrigada a encarar uma subida com um farol no meio. "Quando isso acontece, fico torcendo para pegar o farol aberto e não ter de parar", conta.

FONTE: DPNET